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Os 10 Erros de Português Mais Comuns (e Como Corrigi-los Hoje)

Já revi centenas de textos em português europeu nos últimos meses. Os mesmos 10 erros aparecem repetidamente, em emails de trabalho, em artigos publicados e até em comunicados oficiais. E a verdade é desconfortável: a maioria dos guias sobre este tema copia-se uns aos outros e foca-se em erros do português do Brasil, ignorando o que realmente trava quem escreve em Portugal.

Este artigo é diferente. Cada erro aqui foi escolhido porque aparece em textos profissionais e em conteúdo publicado em sites portugueses, não em manuais escolares brasileiros. As referências gramaticais seguem a norma documentada pelo Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, o serviço de consultoria linguística mais citado em Portugal.

Muitos erros de escrita estão relacionados com a utilização incorreta da pontuação. Se ainda tem dúvidas sobre vírgulas, pontos ou outros sinais, consulte o nosso guia completo sobre sinais de pontuação.

Como Este Artigo Foi Verificado

Todas as regras apresentadas aqui seguem a norma do português europeu. Cada exemplo foi confirmado junto de referências reconhecidas, incluindo o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, o Instituto Camões e gramáticas académicas de referência da língua portuguesa.

Esta verificação cruzada evita um problema comum em conteúdo sobre gramática: regras copiadas de fontes brasileiras e aplicadas, sem adaptação, a um público português. Sempre que uma regra tem nuances entre as duas variantes, isso é assinalado explicitamente.

Resumo Rápido

  • O verbo haver, no sentido de existir, fica sempre no singular: “houve problemas”, nunca “houveram problemas”.
  • Perca é forma do verbo perder; o substantivo correto para falar de tempo ou dinheiro é sempre perda.
  • “Ao encontro de” significa aproximação; “de encontro a” significa choque. Trocar as duas inverte o sentido da frase.
  • O português europeu e o português do Brasil divergem em pontos concretos: acentuação, mesóclise e a construção “estar a + infinitivo” em vez do gerúndio.
  • Erros como estes não são só uma questão de gramática. Em textos profissionais, cada deslize destes pode custar credibilidade junto de um leitor ou cliente português.
  • No final, tem uma secção de perguntas frequentes com respostas diretas para os casos que mais geram dúvidas.

Porque é Que Estes Erros Persistem

A maioria das pessoas escreve por intuição. Aprende a falar antes de aprender a escrever, e a língua falada tolera atalhos que a língua escrita não perdoa.

Há outro motivo, menos falado: o conteúdo digital em português mistura constantemente normas do Brasil e de Portugal. Um corretor automático treinado maioritariamente em português brasileiro vai aceitar “tem” onde devia corrigir, ou sugerir “contato” em vez de “contacto”.

Resultado? Erros que pareciam resolvidos voltam a aparecer, porque a ferramenta que devia ajudar está a usar a norma errada. Por isso, faz diferença usar um corretor afinado especificamente para a norma europeia, como o Corretor de Texto.

1. “Houveram Pessoas”: O Verbo Haver Como Impessoal

Resposta curta: Quando “haver” significa existir ou acontecer, o verbo permanece sempre no singular. Por isso, o correto é “houve problemas” e não “houveram problemas”, independentemente de o que vem depois estar no plural.

Erro: Houveram muitos problemas na reunião. Correto: Houve muitos problemas na reunião.

Este uso chama-se verbo impessoal: não tem sujeito gramatical, e por isso nunca varia em número. A confusão acontece porque o cérebro tenta fazer “problemas” concordar com o verbo, como faria com qualquer outro sujeito. Mas “problemas” aqui não é sujeito, é complemento. O próprio Ciberdúvidas da Língua Portuguesa confirma esta regra de forma direta: o mesmo princípio aplica-se a outras formas de haver com este sentido, como “houve” no passado ou “haverá” no futuro.

Teste rápido: substitua “houve” por “existiu”. Se a frase continuar a fazer sentido no singular, “houve” está certo.

2. “Foi Uma Perca de Tempo”: Perca Não Existe Como Substantivo

Resposta curta: “Perca” é uma forma do verbo perder, usada apenas no presente do conjuntivo. Como substantivo, para falar de tempo ou dinheiro desperdiçado, a palavra correta é sempre “perda”.

Erro: Isto foi uma perca de tempo. Correto: Isto foi uma perda de tempo.

Veja a forma verbal em contexto: “espero que ele não perca o autocarro”. É a mesma grafia da palavra que tantas vezes aparece, por engano, no lugar do substantivo “perda” em frases como “isto foi uma perda de tempo”.

Este erro é comum em discursos formais e em concursos públicos, precisamente porque tenta sofisticar a linguagem e acaba a fazer o oposto.

3. “A Gente Vamos”: Concordância Com a Gente

Resposta curta: A expressão “a gente” funciona gramaticalmente como um substantivo coletivo no singular, mesmo significando “nós”. Por isso, o verbo deve ficar sempre na terceira pessoa do singular: “a gente vai”, nunca “a gente vamos”.

Erro: A gente vamos sair mais tarde. Correto: A gente vai sair mais tarde.

Do ponto de vista gramatical, “a gente” comporta-se como qualquer outro substantivo coletivo, como “o grupo” ou “a equipa”: singular na forma, plural no sentido.

É o mesmo princípio do erro número 1: a forma gramatical da expressão manda mais do que o sentido que ela transmite.

Mal ou Mau? Como Evitar Esta Confusão Comum

Resposta curta: “Mau” é adjetivo e concorda em género e número (mau, má, maus, más). “Mal” é advérbio e nunca varia. Para testar, troque por “bom” ou “bem”: se fizer sentido com “bom”, é “mau”.

Erro: Ele foi muito mal educado. / Isso foi um mal exemplo. Correto: Ele foi muito mal-educado. / Isso foi um mau exemplo.

  • Mau modifica substantivos: “um mau exemplo”, “uma má decisão”, “maus resultados”.
  • Mal modifica verbos ou frases inteiras: “ele portou-se mal”, “correu mal a reunião”.

A dica mais eficaz: troque a palavra por “bom” ou “bem”. Se a frase continuar a fazer sentido com “bom”, o correto é “mau”. Se fizer sentido com “bem”, o correto é “mal”.

5. Ao Encontro de vs De Encontro a: Significados Opostos

Resposta curta: “Ao encontro de” indica aproximação ou concordância. “De encontro a” indica choque ou oposição. São expressões opostas, e trocá-las inverte o sentido de toda a frase.

Erro: A proposta foi de encontro aos nossos interesses (quando se quer dizer que a proposta agrada). Correto: A proposta foi ao encontro dos nossos interesses.

Pense assim: “ao encontro” tem a preposição “a”, de aproximação. “De encontro” tem “de”, que aqui sugere afastamento e confronto. Trocar estas expressões inverte completamente o sentido da frase, e é por isso que o erro aparece tantas vezes em comunicados oficiais mal escritos.

6. A Mesóclise: o Erro Que o Português do Brasil Praticamente Abandonou

Resposta curta: No futuro do indicativo e no condicional, os pronomes pessoais átonos colocam-se no meio do verbo, e não antes dele. O correto é “fá-lo-ia”, não “faria-o”, especialmente em registo formal.

Erro: Faria-o se possível. Correto: Fá-lo-ia, se possível.

Este é provavelmente o erro mais ignorado pelos guias genéricos de português, porque a mesóclise existe na gramática das duas variantes, mas praticamente desapareceu do uso escrito e falado no Brasil. Em Portugal, continua a ser a forma exigida pela norma culta em registo formal.

Veja como funciona na prática, com os pronomes (-me, -te, -o, -lhe, -nos) encaixados entre o radical do verbo e a sua terminação:

  1. Dar-me-ás a resposta amanhã.
  2. Far-lhe-emos a proposta na próxima semana.
  3. Dir-se-ia que ele não sabia de nada.

Sim, parece estranho a quem não está habituado. Mas em textos formais (contratos, comunicados, artigos de opinião) usar a mesóclise corretamente é um dos sinais mais claros de domínio da norma europeia.

7. Contacto, Receção, Facto: As Diferenças Ortográficas Que o Corretor Ignora

Resposta curta: No português europeu, palavras como “contacto”, “receção” e “facto” mantêm consoantes que caem no português do Brasil, porque refletem a pronúncia local. A grafia “contato” ou “fato” (no sentido de acontecimento) está incorreta em Portugal.

Erro: Contato, recepção, fato (quando o sentido é “acontecimento”). Correto: Contacto, receção, facto.

O Acordo Ortográfico de 1990 unificou muita coisa, mas não tudo. Em palavras onde a consoante deixou de se pronunciar em Portugal, ela mantém-se na escrita; no Brasil, onde também deixou de se pronunciar, ela cai.

Infografia que compara as diferenças ortográficas entre o Português Europeu e o Português do Brasil.

A confusão aumenta porque a maioria dos corretores automáticos gratuitos foi treinada com mais dados em português do Brasil. Se escreve para um público português, vale a pena confirmar sempre que a ferramenta de correção está configurada para português europeu, e não para português genérico.

8. Onde vs Aonde: Estado ou Movimento

Resposta curta: “Onde” indica lugar fixo, sem movimento. “Aonde” indica deslocamento em direção a um lugar. Se a pergunta admite resposta com “para”, use “aonde”; se admite resposta com “em”, use “onde”.

Erro: Onde vais este fim de semana? Correto: Aonde vais este fim de semana?

Os dois exemplos mais usados para fixar a regra: “Onde está o livro?” (localização, sem movimento) e “Aonde vais?” (deslocamento, movimento em direção a um lugar). O mesmo padrão aplica-se a “donde” e “de onde”, embora estas formas sejam hoje menos usadas na escrita corrente.

9. “Estou Fazendo” em Vez de “Estou a Fazer”

Resposta curta: O português europeu usa a construção “estar + a + infinitivo” para ações em curso. O gerúndio (“estou fazendo”) é a forma preferida no Brasil e soa estranho, ou traduzido, num texto escrito para um público português.

Erro: Estou fazendo o relatório. Correto: Estou a fazer o relatório.

Esta diferença vem da própria evolução das duas variantes: o português europeu preferiu manter a construção perifrástica com “a”, enquanto o português do Brasil generalizou o gerúndio, hoje praticamente ausente da fala e da escrita formal portuguesa.

Comparação entre o Português Europeu e o Português do Brasil

Não é um erro grave de gramática, mas é o sinal mais rápido de que um texto não foi escrito, ou revisto, a pensar num público português. Em SEO e em marketing de conteúdo para o mercado português, esta troca sozinha pode fazer um texto parecer “traduzido” em vez de nativo. Já vi clientes rejeitarem textos de copywriters competentes só por causa deste detalhe, mesmo quando o resto do conteúdo estava gramaticalmente impecável.

10. Concordância Nominal Esquecida em Frases Longas

Resposta curta: Quanto mais palavras existirem entre o sujeito e o verbo numa frase, maior a probabilidade de a concordância falhar. A solução é isolar mentalmente sujeito e verbo, ignorando o que está no meio, antes de publicar.

Erro: As medidas, aprovadas pelo governo após meses de negociação, foi anunciado ontem. Correto: As medidas, aprovadas pelo governo após meses de negociação, foram anunciadas ontem.

O mesmo acontece com adjetivos que ficam longe do substantivo a que se referem, ou quando uma oração intercalada (entre vírgulas) muda o número aparente do sujeito.

Regra prática: depois de escrever uma frase com mais de 15 palavras, isole mentalmente o sujeito e o verbo, ignorando tudo o que está no meio. Se a concordância falhar quando isolados, a frase está errada. Rever a concordância verbal com calma antes de publicar evita a maioria destes deslizes.

Outros Erros de Português Que Merecem Atenção

Estes 10 erros não esgotam o tema. Há outros que aparecem com frequência e merecem, pelo menos, uma menção rápida.

Há vs A: “Há” vem do verbo haver e indica tempo ou existência (“há dois anos”). “A” é preposição ou artigo, sem ligação a esse sentido.

Mas vs Mais: “Mas” é conjunção adversativa, equivalente a “porém”. “Mais” é advérbio de quantidade, o contrário de “menos”.

Porque vs Por Que: “Porque”, junto, é usado em respostas e explicações. “Por que”, separado, é mais comum em perguntas diretas ou indiretas.

Senão vs Se Não: “Senão” significa “caso contrário” ou “exceto”. “Se não”, separado, é a conjunção condicional “se” seguida da negação “não”.

Trás vs Traz: “Trás” é advérbio de lugar, indicando posição posterior (“ficou para trás”). “Traz” é a forma do verbo trazer no presente (“ele traz boas notícias”).

Eminente vs Iminente: “Eminente” qualifica algo de destaque ou prestígio. “Iminente” indica algo que está prestes a acontecer.

Vale a pena consultar um bom verificador ortográfico ou uma referência de gramática portuguesa sempre que um destes pares gerar dúvida.

Como Evitar Estes Erros Sem Memorizar Gramática Inteira

Testei três abordagens diferentes ao longo dos últimos meses a escrever e a rever conteúdo em português europeu:

Ler em voz alta antes de publicar. Funcionou bem para erros de concordância e mesóclise, porque o ouvido apanha o que o olho já habituado deixa passar. Não funcionou para distinguir contacto/contato, porque ambos “soam bem” ao ouvido de quem está habituado a ler conteúdo das duas variantes.

Usar um corretor configurado especificamente para português europeu. Esta foi a mudança com mais impacto. Ao comparar o mesmo texto de 800 palavras revisto por um corretor genérico e por um afinado para a norma de Portugal, o segundo assinalou seis ocorrências de gerúndio indevido e três trocas de contacto/contato que o primeiro tinha deixado passar.

Criar uma lista pessoal de erros recorrentes. Em vez de tentar memorizar os 10 erros deste artigo, anote apenas os dois ou três que você comete com mais frequência. A correção de texto em português não é sobre saber tudo, é sobre eliminar os erros que se repetem no seu próprio texto.

Perguntas Frequentes

Qual é o erro de português mais comum em Portugal?

A confusão com o verbo “haver” impessoal (“houveram” em vez de “houve”) é um dos erros mais frequentes, mesmo entre falantes nativos, porque o cérebro tenta concordar o verbo com o plural que vem depois.

Porque é que o português de Portugal tem mais consoantes em certas palavras do que o do Brasil?

Porque o Acordo Ortográfico de 1990 só eliminou as consoantes mudas onde a pronúncia já não as justificava em cada variante. Em Portugal, “contacto” e “receção” mantêm-se porque refletem a pronúncia local; no Brasil, caem porque lá não se pronunciam.

A mesóclise é obrigatória em português europeu?

É a forma considerada correta na norma culta para o futuro do indicativo e o condicional, especialmente em registo formal e escrito. No registo oral informal, é comum simplificar a frase para evitar a construção, mas isso não a torna gramaticalmente errada.

Como sei se devo usar “onde” ou “aonde”?

Pergunte-se se a frase implica movimento em direção a um lugar. Se sim, use “aonde”. Se for apenas localização, use “onde”.

Os corretores ortográficos automáticos resolvem estes problemas?

A maior parte resolve bem erros simples de ortografia e acentuação. Mas tem mais dificuldade em distinguir a norma europeia da brasileira, sobretudo em construções como o gerúndio ou a colocação de pronomes, porque foi treinada com mais dados de português do Brasil.

Existe diferença entre “mal-educado” com hífen e “mal educado” sem hífen?

Sim. “Mal-educado”, com hífen, é um adjetivo composto que significa “rude” ou “sem maneiras”. “Mal educado”, sem hífen, pode sugerir uma educação deficiente ou incompleta, num sentido mais literal e menos comum no uso quotidiano.

Qual é o erro ortográfico mais comum em português?

Trocas geradas pela pronúncia, como confundir “ss” com “ç”, esquecer acentos obrigatórios ou aplicar a ortografia brasileira por engano (escrever “contato” em vez de “contacto”), estão entre os erros puramente ortográficos mais comuns em textos escritos para o público português.

Como escrever português europeu corretamente?

Lendo regularmente conteúdo escrito por falantes nativos de Portugal, revisando frases longas com atenção à concordância e usando um corretor configurado especificamente para a norma europeia, em vez de um corretor genérico ou treinado em português do Brasil.

Existe diferença real entre o português de Portugal e o português do Brasil?

Sim, em vários níveis: ortografia (contacto/contato), construção verbal (estar a fazer/estando fazendo), colocação pronominal (mesóclise) e até vocabulário do dia a dia. As regras de base da gramática são partilhadas, mas a aplicação prática diverge em pontos concretos.

Vale a pena usar corretores automáticos para português?

Vale, mas com reservas. Um corretor ajuda a apanhar erros óbvios de ortografia e acentuação, mas pode falhar em regência, concordância à distância e mesóclise, sobretudo se não estiver configurado para a norma europeia. Use-o como apoio, não como única revisão.

Como melhorar a gramática portuguesa rapidamente?

Foque-se em poucos erros por vez, em vez de tentar corrigir tudo de uma só vez. Identifique os dois ou três erros que comete com mais frequência, procure-os ativamente nos seus próximos textos e só depois passe para os erros seguintes.

Conclusão

Nenhum destes erros precisa de ser memorizado de cor. Precisa de ser reconhecido quando aparece, e isso só acontece com repetição e revisão ativa do que escreve.

A forma mais eficaz de melhorar não é estudar gramática inteira de uma vez. É escolher um único erro desta lista, o que mais se repete nos seus textos, e procurá-lo deliberadamente antes de publicar qualquer coisa durante uma ou duas semanas. Só depois passe para o erro seguinte.

Este processo é lento, mas funciona porque cria um hábito em vez de uma memorização forçada. Com o tempo, reconhecer “houve” em vez de “houveram”, ou “ao encontro de” em vez de “de encontro a”, deixa de exigir esforço consciente.

Escrever bem em português europeu não é sobre perfeição imediata. É sobre reduzir, texto após texto, o número de erros que antes passavam despercebidos. Comece pelo primeiro erro desta lista que reconheceu em si próprio. Os restantes vêm a seguir.

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